Volta para Gastronomia

Visito um dos ‘berçários’ na Casa Valduga, onde centenas de barris descansam sob pouca luz e temperatura controlada.  Foto: Flávia La Villa, 26/02/2006

“Dois Vales: do Paraíba a Vinhedos”

Até há pelo menos algum tempo atrás, a região das Serras Gaúchas era conhecida como um dos maiores patrimônios do Rio Grande do Sul.
Graças a uma série de ações que resultou na consolidação da APROVALE (Associação dos Produtores de Vinhos Finos do Vale dos Vinhedos) em 95, uma região até então relegada ao segundo plano na área turística, tomou força e hoje surge como uma das referências para o país na área de produção vinícola de ponta.
O Vale dos Vinhedos concentra hoje a excelência na produção de castas nobres da nova geração vinícola brasileira.
Atualmente, segundo a APROVALE há 24 vinícolas associadas e 19 associados não produtores de vinho, que são hotéis, restaurantes, fabricantes de produtos artesanais, entre outros. As vinícolas do Vale dos Vinhedos produziram, em 2004, 9,3 milhões de litros de vinhos finos e processaram 14,3 milhões de kg de uvas viníferas (fonte: www.valedosvinhedos.com.br).
As famílias souberam aliar a tradição à busca pela tecnologia, com cepas de qualidade que hoje podem chegar de R$ 50 à R$ 200 a garrafa.

 

Para isto, foi necessário um longo aprendizado, investimentos em conhecimento das espécies de uvas, sua melhor adaptação ao solo, produtividade e demanda de mercado.


O negócio hoje saiu das raias do amadorismo. Revistas como a “Decanter”, referência como a melhor do mundo, estampam em suas capas exemplos bem sucedidos de experiências de desenvolvimento de safras de qualidade, caso citado da Lidio Carraro, que hoje podem se dar ao luxo de primar pela qualidade em detrimento da quantidade.


Estive neste Carnaval visitando o que há de melhor na viniticultura do sul do país. O Vale dos Vinhedos é uma espécie de “tesouro” das famílias que ali se instalaram. Os segredos ficam sob o solo e nas mãos cuidadosas de quem cuida das vindimas. Exemplos não faltam, como a Lídio Carraro, Dom Laurindo, Casa Valduga, Pizatto e outras tantas famílias que vivem e convivem da terra. Além destas, também visitamos a Salton, Miolo e Chandon, que independente da forma mais industrializada e com foco em grande produtividade, não perde de vista a preocupação na qualidade e atenção na procedência de suas uvas. Inclusive a Miolo inaugura em 2007 bem em frente a sua empresa o primeiro Spa do Vinho do país, empreendimento com 120 apartamentos. Por esta e tantas outras ações percebemos o grande negócio que caminha na região. Também a Casa Valduga amplia seu negócio. Hoje já se pode hospedar, comer e se deleitar em uma de suas instalações, mas está em pleno vapor a construção de uma grande estrutura hoteleira neste mesmo local, onde João Valduga, um dos proprietários que nos recebeu para contar sua história e mostrar todo este sonho sendo realizado, sengundo ele ‘terá até um trenzinho para transportar os visitantes por entre os restaurantes (3 ao todo, sendo um dedicado aos espumantes, um ao vinho tinto e outro ao branco) e toda esta estrutura de lazer’.


Enfim, para todos o solo é fértil e democrático. Cada pedaço de chão guarda seu segredo para o melhor cultivo, é o que se chama de “terroir”, a produção com o “pertencimento” da família que ali se instalou. Uvas de todas as cores e sabores são colhidas por métodos ao mesmo tempo seculares e adornados pela tecnologia. Aliás, conhecimento é o que não falta nestes lugares. É a empresa familiar com tecnologia de ponta e muitos “euros” de investimento. Amor pelo que se faz.
Negócio que hoje se ‘toca’ fácil, o cultivo das uvas também chegou às raias do turismo. Com o nome de enoturismo com toques de gastronomia, a atividade conseguiu unir hoteleiros, empresários, guias e já criou um roteiro de visitações que surpreende pela qualidade e profissionalismo.


Cito para referência e fonte de informação a Agência Terra Bela (www.terrabela.com.br), que soube visualizar o potencial da região e desenvolve há 6 anos, de forma insistente, um trabalho de qualidade, voltado aos que têm amor por esta bebida, fruto da terra e do carinho com o qual o fruto é cultivado.
Esta foi sem dúvida a primeira de muitas e muitas viagens que farei a este pedaço do paraíso.....Saúde!!!!!     

Escrito por Carmem Silvia Cândido Pedroso Bastos
Professora dos Cursos Superiores de Tecnologia em Gastronomia e Hotelaria e Pós-Graduação em "Administração e Organização de Eventos" e "Gestão em Serviços de Alimentação" do
Centro Universitário Senac Campus Campos do Jordão
Esteve visitando durante o Carnaval a região do Vale dos Vinhedos - RS

 

 
 
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